Transformar o sofrimento em paz Pergunta: Li que um filósofo estoico da antiga Grécia, ao dizerem-lhe que o filho morrera num acidente, respondeu. "Eu sabia que ele não era imortal". Será isto a rendição? Se é, não a quero! Resposta :_ Há determinadas situações em que a rendição parece contranatural e desumana. Resposta: Estar isolado dos sentimentos não é rendição. Mas nós desconhecemos qual era o seu estado interior quando ele disse aquelas palavras. Em determinadas situações extremas, poderá ser impossível para si aceitar o Agora. Mas você terá sempre para si uma segunda oportunidade para se render. A sua primeira oportunidade é render-se em cada momento à realidade desse momento. Sabendo que o que é não pode ser desfeito - porque isso já é -, você pode dizer "sim" ao que é ou aceita o que não é. Depois faz o que tem a fazer, seja o que for que a situação exija. Se permanecer no estado de aceitação, você deixará de criar negatividade, sofrimento e infelicidade. Viverá então num estado de não-resistência, num estado de graça e de leveza, livre de conflitos. Sempre que não conseguir fazer isso, sempre que perder essa oportunidade - ou porque não está a gerar presença consciente suficientemente intensa para evitar que surja algum padrão habitual e inconsciente de resistência, ou porque a condição é tão extrema que se torna absolutamente inaceitável para si -, então você cria alguma forma de dor, alguma forma de sofrimento. Poderá parecer que é a situação que cria sofrimento, mas em última análise não é assim - é a resistência que o faz. Eis agora a sua segunda oportunidade de se render. Se não puder aceitar o que está por fora, então aceite o que está por dentro. Se não puder aceitar a condição externa, aceite a condição interna. Isso significa: não resista à dor. Permita que ela exista. Renda-se ao desgosto, ao desespero, ao medo, à solidão, ou a qualquer forma que o sofrimento tomar. Observe-o sem o classificar mentalmente. Aceite-o. Depois veja como o milagre da rendição transmuta o sofrimento profundo em paz profunda. É esta a sua crucificação. Permita que seja também a sua ressurreição e a sua ascensão. Eckhart Tolle (O Poder do Agora, pág. 220)

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Sejamos como as crianças e os animais ! // Texto de Flavio Siqueira // Não seja agnóstico, nem ateu, nem cristão, nem budista, nem teísta, nem humanista, nem capitalista, nem comunista, nem nada que lhe roube a liberdade para crer, descrer, construir e, se for o caso, desconstruir. Ande com as próprias pernas ou quem sabe voe com suas próprias asas. Que a paz seja seu árbitro na caminhada e a consciência a estrada que lhe projeta sobre o caminho do entendimento e da liberdade. Sejamos como as crianças, os animais, os simples de coração. Eles não tem “ismos” nenhum, não defendem nenhuma tese, nem doutrinas, não se incluem em teoria alguma, no entanto seguem puros em sua ignorância iluminada, na paz de quem sabe, mesmo sem saber que sabe. Felizes, pacificados, alheios às nossas tolas filosofias e discussões, atentos em simplicidade ao que realmente importa. Sejamos livres ! - flaviosiqueira.com

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