A Paz-Por Eckhart Tolle.

ma situação-limite. Tudo aquilo com que estas pessoas se identificavam, tudo o que lhes dava a sua noção de identidade, foi-lhes retirado. Então, repentina e inexplicavelmente, a angústia ou o grande medo que sentiram de inicio dá lugar a uma sensação sagrada de Presença, uma profunda paz e serenidade e uma libertação total do medo. Este fenómeno deve ter sido familiar a S. Paulo, que utilizou a expressão: «A paz de Deus, que sobrepuja todo o entendimento.» É de facto uma paz que parece não fazer sentido e as pessoas que a experimentaram perguntaram a si mesmas: perante este cenário, como é possível eu sentir paz?
A resposta é simples se compreendermos o que é o ego e como funciona ele. Quando as formas com as quais nos identificamos e que nos dão a nossa noção de identidade desaparecem ou nos são retiradas, isto pode conduzir à ruína do ego, uma vez que o ego é a identificação com a forma. Quando não nos resta nada com que nos possamos identificar, quem somos nós afinal? Quando as formas que nos rodeiam morrem ou quando a morte se aproxima, a nossa noção de Ser, Eu Sou, é libertada da sua ligação à forma: o Espírito é libertado do seu aprisionamento à matéria. Ganhamos consciência da nossa identidade essencial como algo sem forma, uma Presença universal, um Ser anterior a todas as formas, a todas as identificações. Entendemos que a nossa verdadeira identidade é a própria consciência e não as coisas com que a consciência se identificava. Esta é a paz de Deus. A derradeira verdade de quem somos não é «Eu sou isto» ou «Eu sou aquilo», mas simplesmente Eu Sou.
Eckhart Tolle (Um Novo Mundo, pág. 51)-Texto extraído de Eckhart Tolle em português

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